Como a IA ajuda a enriquecer meu vocabulário.


Uma das minhas áreas profissionais é a redação de cases para prêmios, relatórios corporativos e políticas empresariais. Expertise de mais de 30 anos que começou na redação de - na época - grandes jornais e revistas, passando pela literatura técnica e desembocando nos materiais corporativos. Minha veia de repórter investigativa, mesmo que hoje longe da mídia, ainda pulsa na busca por informações para o material corporativo e a redação em si é quase uma diversão. Até que chegaram as inteligências artificiais fazendo parte do que eu faço.

Se eu disser que não perdi trabalhos para IA estaria mentindo. Perdi sim e, em alguns casos, o valor monetário foi reduzido. Confesso que, no inicio, houve uma certa dose de pânico nutrida pelas redes sociais com clickbaits que indicavam que de uma carreira sólida eu passaria para o status de pária em 3,2,1... E, novamente com a curiosidade de uma repórter resolvi entender como tudo funcionava e como eu poderia tirar proveito de tudo isso.

Vários cursos, indo da engenharia de prompts à criação de robôs e apps (nestes dois ainda tenho uma longa jornada) passando pela aprendizagem imagética, em que a minha "cãopanheira" Ariel serviu de modelo para ilustrações e vídeos. Até que eu entendi que a IA só tomaria o meu lugar em projetos menos complexos, com clientes menos exigentes. Que a visão sistêmica e a percepção sensorial adquirida ao longo de décadas eram as minhas vantagens. E que esses robozinhos não precisavam ser meus inimigos. Poderiam ser meus ajudantes.

Ajudantes principalmente na organização das informações - o que leva muito tempo e é uma etapa de risco, pois apenas no processo humano informações importantes podem ser deixadas de lado. Mas além de tudo isso, que podemos classificar quase que como "obviedades", quero trazer para essa conversa um bônus que eu não tinha ideia  que receberia com IA: o enriquecimento do meu vocabulário.

Na fase atual ando meio sem tempo para leituras clássicas pois quando pretendo buscar um romance ou livro de contos para me entreter, vem o peso do Doutorado com seus tantos artigos científicos e materiais técnicos à espera. E quem tem aparecido como "substituto" nesses momentos no que concerne ao enriquecimento do vocabulário? Sim, ela a IA. 

Como assim? Por si só ela não tem essa função, mas eu a programo para que tenha. E o segredo está sempre em como você pede. Não uso a IA para redação em si mas sempre que converso seja com o Chat GPT que aloca meus projetos; com o Gemini onde tenho meus robôs com privacidade, seja com o Perplexity que dedico mais como assistente do Doutorado. Ao conversar com meus agentes, peço retorno em vocabulário ora machadiano, ora com tom de Guimarães Rosa e às vezes até imitando o professor da UERJ João Cezar de Castro Rocha, a quem muito admiro e atribuo uma das melhores oratórias atuais. Brinco em muitos momentos também pedindo um retorno a la Clovis de Barros Filho ou outro profissional com amplitude de vocabulário. Essa conversas trazem à tona vocábulos que eu já havia deixado no passado ou estruturas discursivas que eu nem imaginava incorporar transformando aquele que poderia ser encarado como meu inimigo ou substituto como um colega que me ajuda a expandir horizontes.

É uma questão do olhar que colocamos. Agora vocês descobriram o meu segredo

Karen Gimenez


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